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S?o duas as f?bricas de velas que ainda laboram no Concelho de Ma??o, configurando assim uma das in?meras potencialidades desta regi?o.
Situadas na localidade de Cardigos, a F?brica Condest?vel e a Am?rico Dias da Silva produzem todos os anos, com verdadeiro gosto e empenho, toneladas de velas, de v?rios tamanhos e di?metros, com recurso a t?cnicas artesanais.
A F?brica Condest?vel nasceu h? cerca de 8 d?cadas, mas foi comprada h? 40 anos por Ant?nio Silva. Um verdadeiro mestre, que come?ou a trabalhar na ?rea com 13/14 anos e que conhece o processo como a palma da m?o. Hoje, com 69 anos, continua a dedicar o seu tempo a esta arte, contando com a ajuda da esposa e de um funcion?rio.
Am?rico Dias da Silva tamb?m conhece bem os segredos desta profiss?o. O pai tinha uma f?brica, por isso conviveu, desde sempre, com o mundo das velas. Ficou, mais tarde com essa f?brica e, em 1996, montou a actual. Hoje, com 54 anos, trabalha com a esposa naquele que ? um verdadeiro neg?cio de fam?lia.
Como se faz uma vela?
O processo ? simples. O pavio ? pendurado numa roda com centenas de bicos e depois banhado v?rias vezes na caldeira el?ctrica, onde se encontra a cera l?quida. Estes banhos s?o feitos por fases para que a cera possa arrefecer e solidificar, para ir ganhando o di?metro pretendido.
Para que as velas fiquem com um di?metro igual em toda a sua extens?o, s?o depois retiradas da roda e colocadas em bancadas, onde se corta uma das extremidades e voltam a pendurar-se pelo lado oposto. S?o novamente banhadas at? obterem o mesmo di?metro em cada extremidade. Este processo ? utilizado por Am?rico Silva apenas nas velas mais largas, sendo as mais pequenas banhadas, em cada fase, repetidas vezes na extremidade superior.
Para que as velas fiquem com uma superf?cie lisa, os dedos podem servir para aperfei?o?-las ? medida que s?o banhadas ou recorrendo a fieiras - objectos de metal com um n?mero de orif?cios igual aos bicos da roda, onde est?o penduradas as velas, que v?o aperfei?oar o trabalho.
Antigamente, as velas n?o eram banhadas na caldeira, "deitava-se a cera fio abaixo com um cabacito", referiu Am?rico Silva. Depois de feitas, as velas s?o cortadas de acordo com o tamanho pedido pelo cliente.
De onde vem a cera?
A cera utilizada actualmente ? a parafina, uma cera sint?tica, branca, obtida a partir do res?duo da destila??o do petr?leo. Chega em barras e ? derretida numa caldeira, passando depois para uma outra, el?ctrica, que vai manter sempre a temperatura ideal, para banhar o pavio. "Antigamente as velas eram feitas com cera de abelha, que era levada para um lagar e passava por um processo igual ao do azeite. Como a cera era muito amarela, ficava mais de um m?s a corar para ficar mais branquinha", refere Ant?nio Silva da f?brica Condest?vel.
O mercado
As f?bricas de Cardigos produzem v?rias dezenas de toneladas de velas, por ano, e escoam o seu produto para o mercado nacional. A F?brica Condest?vel produz, anualmente, cerca de 40 toneladas de velas, fazendo cerca de 200 quilos por dia. Tem clientes desde Vila Real at? Faro, mas a maior parte da produ??o vai para F?tima, para onde envia, todos os meses, duas toneladas de velas. Am?rico Silva n?o vende para F?tima h? j? algum tempo, no entanto, alargou o seu mercado aos arquip?lagos dos A?ores e da Madeira. Produz cerca de 30 toneladas anuais, numa m?dia de 10 mil velas por dia. Refere que a ?poca alta de vendas ocorre entre Maio e Outubro porque, nesta altura, "h? mais festas e romarias". |